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Braulio Lorentz, Ricardo Schott e Clara Passi, JB Online RIO - Caiu como heavy metal a declaração de Pery Ribeiro sobre a participação de Fernanda Takai no primeiro grande espetáculo sobre os 50 anos da bossa nova, amanhã, na Praia de Ipanema, em reportagem de capa publicada ontem no Caderno B do Jornal do Brasil. A cantora do Pato Fu, escalada entre os 15 artistas devido ao seu disco dedicado ao repertório de Nara Leão, não engoliu as críticas e abriu até a possibilidade de não se apresentar caso pedissem. Pery classificou Fernanda de "vocalista de uma banda de rockzinho". - Se me pedirem para sair para dar lugar a eles, eu até saio, mas eles não me conhecem. Só acho difícil alguém com tanto tempo de carreira falar algo do tipo - diz Fernanda. Pery Ribeiro reage: - Que reação ela esperava que um cara como eu, com 50 anos de carreira dedicados à bossa nova, tivesse? Ela queria que eu dissesse: 'Que bom que puseram um show de roquezinho em vez de me chamar?'. Sinto-me preterido por uma menina que canta "Diz que fui por aí" em ritmo de rock. Nada contra ela, nem sei quem é. Meu grito não é contra ela, é contra a produção. Fernanda não entende a indignação de alguns dos 27 artistas relacionados por Roberto Menescal, diretor musical do espetáculo, mas excluídos pela organização do evento por motivos diversos (horário limitado para os shows e orçamento, por exemplo). - Eu jamais daria declarações como essas - diz Fernanda, que ensaia há semanas em seu próprio banquinho, em sua casa em Belo Horizonte. - No nosso segmento de rock, já deixei de ser escalada para vários eventos e nunca fiquei com esse sentimento: tinha que ser eu, não o fulano. Eu não sabia que existiam músicos insatisfeitos. Não sei sobre convites e desconvites. Só sei que fui chamada via Roberto Menescal, porque já havíamos trabalhado juntos. Fernanda adianta que os arranjos serão feitos especialmente para o show, que será entre as ruas Maria Quitéria e Garcia D'Ávila - Será muito bonito. Para mim é algo muito significativo e histórico. Estou muito feliz pelos convites e pelo carinho com que os músicos têm me recebido. Ainda fico meio sem jeito, como fico sempre quando me encontro com artistas que ouvia em disco e rádio e via pela TV - garante a vocalista. Diretora artística da celebração dos 50 anos da bossa nova, Solange Kafuri sai em defesa da vocalista do Pato Fu. E reitera que não há motivos para mudanças na escalação. - A Fernanda fez um disco maravilhoso com o repertório da Nara e queríamos celebrar a bossa misturando os ícones com gente nova. Seguindo esse critério, posso colocar quem eu quiser. Entendo bastante de bossa nova, ao contrário do que muitos artistas entrevistados afirmaram na reportagem do B, e sei da importância de todos os que não estão no evento, como Pery Ribeiro e Os Cariocas. Eles têm o direito de reclamar, mas já participaram de vários shows nossos - argumenta. Apresentador do espetáculo, Miéle conta que ligou para Pery Ribeiro para se solidarizar. - Liguei para o Pery para comentar e lamentar a ausência dele. Estranhei a ausência dele - conta Miéle. - Sou o apresentador, não sou produtor. Perguntei para a Solange sobre isso e ela mencionou a obrigação do horário. Fiquei sabendo que os patrocinadores (Itaú, Light, Oi, Ceg e Supervia) pediram uma figura paulista, que é o Zimbo Trio, e três figuras jovens, entre eles a Maria Rita e essa menina aí que lançou CD sobre a Nara Leão. Uma fonte ligada à produção sustenta que o Itaú teria influenciado na escolha dos artistas. Procurada pela equipe do Caderno B, a assessoria da área de cultura do banco pediu um tempo para se pronunciar sobre o assunto, mas não retornou. Uma das empresas que apóia o espetáculo, a Miolo Wine Group, procurada pelo Caderno B, emitiu nota a respeito da polêmica. "A vinícola não teve influência na organização do evento, na escolha dos músicos e no repertório do show".
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