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Multidão no palco é com I’m from Barcelona e Móveis
Braulio Lorentz
Com quantos músicos se faz uma banda de rock? A pergunta costuma ser respondida com uma mão: poucas formações têm mais de cinco integrantes. Não é o caso, porém, de grupos de rock alternativo como o sueco I’m from Barcelona, com 29 membros; o americano Polyphonic Spree, com 20 músicos; e o brasiliense, um pouco mais enxuto, Móveis Coloniais de Acaju. Os nove rapazes lançam o primeiro disco por uma gravadora, a paulista Trama, no fim do ano, e tocam no prestigiado festival belga Pukkelpop, que acontece entre 14 e 16 de agosto. Enquanto isso, o I’m from Barcelona almeja fazer o caminho inverso.
– Adoraríamos ir ao Brasil. Mas é preciso achar alguém interessado em pagar 29 passagens de ida e volta para nos apresentarmos – lamenta o líder do grupo, Emanuel Lundgren, em entrevista por telefone, de Estocolmo, ao Jornal do Brasil.
A primeira excursão européia
Com tanta gente sob seu comando, Lundgren se mostra até que bastante paciente.
– Turnês não são tão difíceis, no final acaba sendo a parte engraçada, mas pode ser um inferno planejar as viagens – confessa o vocalista.
Também dono da voz que tenta se sobressair em meio a tantos instrumentistas, André Gonzáles, do Móveis, mescla ansiedade e empolgação quando conta sobre a estréia em palcos europeus.
– Na nossa primeira vez na Europa vamos de cara para um festival deste porte. São oito palcos e é uma coisa muito grandiosa – anima-se Gonzáles. – Somos a única banda da América do Sul. Não acho que o idioma será um problema.
Nomes de peso do rock não muito leve como Metallica, Soulfly, Henry Rollins e Serj Tankian, vocalista do System of a Down; representantes do pop atual como The Killers, Block Party e Stereophonics; e ícones do rock alternativo como Flaming Lips, The Breeders e Sigur Rós são as principais atrações do evento.
– Quando lançamos o primeiro disco independente (Idem, de 2005) ninguém acreditava: um nome gigante, uma banda com sei lá quantas pessoas, um som não muito comercial... – lembra. – Nossas condições na Bélgica, para uma banda iniciante, não se comparam com nosso começo aqui. Estamos indo para formar um público.
Tecladista do grupo brasileiro, Eduardo Borém conta que a excêntrica Polyphonic Spree, banda que capricha na densidade da textura de suas canções, é uma referência para o próximo CD, a ser produzido por Carlos Eduardo Miranda, jurado do programa Astros, do SBT, que já trabalhou com Skank e Raimundos.
– Estamos pesquisando muito a questão da estrutura e do arranjo das nossas novas músicas. As composições começaram a ser criadas no fim do ano passado. Já temos 20 músicas escritas, nem todas finalizadas – adianta o tecladista.
O líder do I’m from Barcelona pinça as influências para seu projeto de tempos mais remotos.
– De todas as bandas com muitos membros, eu diria que a melhor delas é a Parliament/Funkadelic – opina Lundgren. – Temos que, como eles, abraçar o caos para fazermos o que queremos fazer. No palco e no estúdio, qualquer coisa pode acontecer e provavelmente acontecerá.
Se por um lado a quantidade de componentes deixa o som mais encorpado, por outro provoca reações não muito amistosas dos produtores de festivais.
– Ao dizermos o número de integrantes, os organizadores do Pukkelpop fizeram cara feia. Para marcar shows no Brasil também sempre foi assim – afirma Borém. – Vamos ter que fazer mais shows pela Europa para bancar nossos custos.
O Móveis toca no palco de Música Dançante, o mesmo em que o americano LCD Soundsystem se apresentou em 2007.
– Este ano ele está mais voltado para a World Music. A curadoria é muito mais seletiva do que a do South by Southwest (festival texano). – compara Borém. – No outro há muito mais concorrência, mas a intenção é fazer o maior festival do mundo. A atenção às bandas é muito pulverizada. No Pukkelpop é bem mais interessante.
As gravações do novo CD, ao lado de Miranda, começam assim que a banda retornar da Europa, em setembro, nos estúdios da Trama.
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