03 de abril de 2008
 
O fundador do metal não descarta o Sabbath

"Eu nunca digo nunca", ratifica Ozzy Osbourne ao ‘JB’

Ricardo Schott

Ozzy Osbourne, que toca pela terceira vez no Brasil hoje, na HSBC Arena, tem duas facetas. Uma deles é a do respeitável artista: ex-cantor da banda que criou o heavy metal (Black Sabbath), tem uma extensa carreira solo e lançou guitarristas como Randy Rhoads (já morto) e Zakk Wylde. A outra, a folclórica, inclui o fato de ter mordido a cabeça de um morcego, os problemas com drogas e a atuação como o pai de família esquizofrênico da série da MTV The Osbournes. Que ele não sabe ao certo se o levou a novos públicos.

– Acho difícil responder isso – esquiva-se Ozzy, em entrevista ao JB, não poupa a MTV de críticas. – Começou como emissora musical, mas virou uma versão adulta da Nickelodeon. O que aconteceu com a música?

Mesmo sem saber para quem canta, diz estar preparado.

– Faço exercícios vocais e aquecimento antes dos shows – diz Ozzy, categórico ao apontar a música que, após 30 anos de carreira solo, não pode faltar em seus set-lists: – Crazy train é a que mais me representa.

A abertura do show de Ozzy fica por conta do grupo de nu metal Korn e do Black Label Society, liderado por Zakk Wylde. As seis cordas, por sinal, sempre foram um ponto delicado para o cantor. Em 1980, ele montou a banda Blizzard of Ozz e seu acompanhante era Randy Rhoads, morto num acidente de avião em 18 de março de 1982. Ozzy o homenageou na coletânea de gravações ao vivo Tribute (1987).

– É difícil falar sobre Randy, porque todos os meus guitarristas são fantásticos. Mas penso nele todos os dias, imaginando onde ele, que era um músico talentosíssimo, estaria hoje – recorda.

Se Randy ainda é uma sombra para Ozzy, imagine o Black Sabbath, banda da qual foi o frontman por 10 anos. Não descarta se reunir com os ex-companheiros Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward.

– Nunca digo nunca. Seria ótimo – explica. – Nos falamos por telefone e, quando nossas agendas permitem, me encontro com eles.

Fã de sons antigos (é grande admirador dos Beatles), Ozzy diz que não há nada original na música hoje, mas reconhece valor em gente como Amy Winehouse.

– Espero que a ajudem. Seria o desperdício de um grande talento – diz Ozzy, que está curioso para ouvir Inflikted, disco do Cavalera Conspiracy, banda do ex-Sepultura Max Cavalera, a quem era muito ligado nos anos 90. – Sei que não ficarei desapontado. Não falo com Max há tempos, mas ele tem um lugar especial e desejo o melhor para ele.

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