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O show a ser realizado hoje em Ipanema, a partir das 19h, comemorando os 50 anos da bossa nova, será o último que contará com a mão de Roberto Menescal nos bastidores. A decisão foi tomada depois que artistas preteridos na lista de 15 atrações de Bossa nova 50 anos acusaram, em reportagem publicada pelo Caderno B na última quinta-feira, a produção de escalar jovens como Fernanda Takai, do Pato Fu, em detrimento de auto-proclamados precursores do movimento. Na saraivada de balas, sobrou fogo para atingir até um dos patrocinadores, o Itaú. O banco "nega veementemente" participação na escolha dos artistas. Até Miele, apresentador do evento, disse ter advogado em prol de Pery Ribeiro. "Mentira", diz Menescal, negando-se a revelar os nomes dos três curadores do evento. A relação dos sobreviventes da bossa nova está abalada. Quem, afinal, confeccionou a lista dos 15 artistas que participarão do show? - Eu e Solange Kafuri escolhemos três pessoas tarimbadas para formar um conselho. Três, para não ter empate; não revelarei os nomes dos curadores. Fiz uma lista com sugestões de nomes e Solange fez a dela. Metade dos 50 artistas escolhidos por nós se repetia, então achamos por bem contratar essas três pessoas, seriíssimas, para decidir que artistas seriam corretos para esse tipo de show. Seria mais democrático. A lista final de atrações foi composta por pessoas que, na cabeça desses três, têm histórico na bossa nova. Acho estranhas as reclamações de quem ficou de fora. Muitos artistas deixaram de ir a shows de bossa nova no Japão e nos EUA e nunca reclamaram. Daqui a pouco será preciso fazer um show com os excluídos. Nunca na minha vida reclamaria dizendo que fui injustiçado por ficar de fora de um show. Vocês, em algum momento, questionaram a lista final entregue pelos três curadores? - Não. Muitos dos nomes da lista final não se apresentarão por outros compromissos. Toquinho, figura importantíssima por sua parceria com Vinicius, declinou, estava com show marcado. O Quarteto Jobim idem. Minha função na história é musical, a mim couberam os arranjos. Os patrocinadores tiveram influência na escolha dos nomes? - Quando se lida com arte todos querem ter uma palavrinha. Patrocinadores também, da maneira deles, sugeriram, sem impor, certos nomes. A única coisa que pedem é que sejam pessoas que atraiam público. Mas ninguém exigiu nada. Foram os curadores que decidiram: certos nomes são mais adequados para um show na Praia de Ipanema. Que tipos de requisitos devem ser levados em conta ao organizar um show dessa magnitude? - É preciso levar ao palco gente com uma carreira ligada à bossa, que atraia público. Leila Pinheiro, por exemplo, não foi precursora, mas seu CD de bossa foi muito vendido. Quando se dá a um show o nome de Bossa nova 50 anos, é preciso dizer o que vai acontecer no ritmo daqui a 50 anos. Foi uma boa sacada de Nelson Motta colocar Fernanda Takai cantando bossa. Ela arriscou, largou agenda de shows e vai corajosamente cantar Nara Leão. O que achou das reclamações dos artistas, publicadas na quinta-feira, em reportagem do 'Caderno B'? - Tenho pena de pessoas que se sujeitam a lamentações nos jornais. Você nunca me verá numa situação como essa. Nunca me sentiria injustiçado. Se não fui convidado para alguma coisa, penso, simplesmente, que meu nome não condizia com a situação. Miéle contou ter ligado para Pery Ribeiro para se solidarizar, dizendo que sugeriu a inclusão do nome dele no elenco do show... - Mentira do Miéle. Ele não me procurou para tentar incluir nem Pery, nem ninguém. O show abalou as relações entre você e os preteridos? - Não sei e nem me importo. Quero alto astral. Pery é um dos nomes selecionados por mim para estar no DVD Roberto Menescal 50 anos de Bossa. Escolhi para o trabalho Emilio Santiago, Pery Ribeiro, Danilo Caymmi, Leila Pinheiro e Wanda Sá. E quem não preencheu esses lugares teria de ficar chateado comigo? Não devo satisfação a ninguém. Solange Kafuri alegou que não queria montar uma xerox das homenagens já realizadas no Canecão e da Lagoa... - A idéia sempre foi variar. É o mesmo que aconteceu na série de shows que organizei no Japão. Levei 20 artistas. Se voltasse para lá, tentaria incluir novos nomes. Mas decidi agora que não quero mais levar ninguém a lugar nenhum, nem organizar show nenhum. Estou fazendo direção musical e nem isso mais estou com vontade de fazer. Agora só quero tocar. Se houver outros eventos como o da praia, peçam que me incluam como artista, e não mais como organizador. Você já viu artistas reclamarem por terem ficado de fora de outros shows? - Não. Foi inédito. Pery não tem direito de dizer que foi responsável pela primeira gravação de Garota de Ipanema. Ele teve a sorte de darem a música para ele gravar. Depois de tanto bate-boca, como serão os próximos shows em homenagem à bossa nova? - A solução é fazer o show dos excluídos. Só não me chamem para dirigir. As reclamações não afetarão em nada o show. É engraçado notar que quando esses artistas foram chamados para outros shows, ninguém se preocupou em reivindicar em prol dos excluídos. Quando Os Cariocas foram ao Japão não se preocuparam com os que não foram. Quando chamei Pery para ir aos EUA, não se preocuparam com o fato de Os Cariocas não terem ido. Você vai se retratar para algum músico que tenha sido excluído? - Não procurarei nenhum para conversar. Foram eles que começaram a coisa toda, não eu. Não fiz nada de errado. São eles que têm de se retratar. Mas prefiro que não me procurem para uma coisa dessas. O que acha das críticas sobre a escolha de Fernanda Takai? - Um absurdo. Ela é uma gracinha, se arriscou entrando na jogada da bossa nova. Ela simplesmente aceitou nosso convite, não nos procurou. É um exemplo de profissional. E desde quando ter nascido ontem é crime?
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