22 de janeiro de 2008
 
Humaitá Pra Peixe - O Jimi Hendrix de Cuiabá no Humaitá

Ricardo Schott

Vinda de Cuiabá, a banda Macaco Bong, que se apresentou anteontem no HPP, não aposta em autodefinições. Não dá a seu som nem mesmo o rótulo de rock. O guitarrista Bruno Kayapy diz absorver todas as influências que estão a seu redor, sejam de música oriental ou jazz - este, presente nas mudanças rítmicas bruscas de quase 90% das músicas.

Kayapy e o baterista Ynaiã Benthroldo (o baixista Ney Hugo completa a formação) afirmam que uma das grandes vitórias do grupo foi ter contribuído para que Cuiabá passasse a investir mais em trabalhos musicais autorais. Além disso, todos trabalham bastante para divulgar suas obras, seja em projetos como o Espaço Cubo (produtora multicultural cuiabana, que realiza o festival Calango) ou no selo/loja Fora do Eixo. Devido a essa batalha, o próximo disco da banda se chamará Artista é igual a pedreiro.

- Não podemos só pensar artisticamente. Temos que pensar em novos canais para a informação circular - diz Ynaiã. - O nome do disco desmistifica essa coisa do artista, que é o cara que luta por um meio, e não por um fim.

Muitos foram ao HPP interessados no headliner da noite, o cantor de pop-rock Jay Vaquer (ver boxe). Mas a banda agradou a todos, com um som instrumental, sem ser anticomercial. Músicas como Bananas for you all e Black fuck são praticamente rock dos anos 90, na tradição de nomes como Soundgarden. Só que com vocais substituídos pelos ótimos solos de Kayapy, e com a estrutura das músicas turbinada por mudanças de ritmo que abarcavam até funk e blues.

O Macaco Bong é bastante técnico, sem desafinações ou microfonias, até mesmo em sons pesadíssimos como Compasso de ferrovia. O esforço de Ynaiã foi tanto que, após o show, teve de pôr gelo no braço, devido a uma tendinite.

[ 22/01/2008 ]   02:01